quinta-feira, 22 de março de 2012

Nós, autores

Na vida tem certas coisas que a gente enxerga com o lado de dentro. Elas não existem, nunca existiram, mas conseguimos vê-las. E senti-las. E mesmo sendo nós que as criamos, uma hora elas podem sair do nosso controle e ir embora... E aí passamos a nos apegar a lembrança daquilo que não foi.

Desejamos tanto trazer de volta essa realidade que não existiu, que nos aproximamos mais ainda a ela. Devagarzinho assim, sem pressa. E de uma hora pra outra não tem mais volta. Pode nos tomar só cinco minutos por semana, mas por várias semanas. Ou anos. E daí já faz parte da gente. Já foi internalizado. E a saudade daquilo que na verdade nunca chegamos a viver se torna real. Porque tudo o que faz parte da gente é realidade.

Cuidado com o que você idealiza.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Sem luar

Era uma noite escura, sem luar.
No subúrbio da cidade, podia se ouvir alguns grunhidos, homens bêbados que caminhavam trôpegos e chutavam pedaços de sacolas e copos plásticos, que gritavam. Um grito seco, curto, sem dor. Ao longe se ouvia o barulho rápido dos carros daquela gente desesperada, perdida, correndo atrás do nada, a impressão de que o tempo era infinito. Todos voltando para o aconchego do que chamavam de lar, depois daquela noite igual a todas as outras; um buraco no vazio que não se davam ao trabalho de questionar.
Ás vezes um grito esquecido cortava o silêncio. Um impulso que nascia morto.
Mas havia uma janelinha ali no alto de um prédio já quase nu, a pintura descascada abrigava camadas de sujeira também já esquecidas.
Um isqueiro acendia, e depois apagava. Acendia, apagava. Acendia. Dentro do apartamento, um homem e uma mulher dividiam o silêncio.
Atirado na poltrona, de cueca, ele fitava-a na íris. Ela estava jogada na cama, com a maquiagem borrada e a roupa amassada que escondia seus fartos seios e uma pele áspera.
- É um porre o jeito que você me olha - Ela apagou o isqueiro.
Escorregaram-se pela janela cinco curtos minutos.
- Como ele está? - O homem susurrou, a voz roca se arrastando na garganta, o olhar fugindo.
- Bem.
Mais uma dose de silêncio. O homem se aproximou. Tocou-a na nuca, acariciou os cabelos, suspirou no seu pequeno ouvido, e com os olhos fechados, disse:
- Eu tô te pedindo, vem comigo. Eu sei que você não gosta desse homem! Também sei que ele não sabe te tocar do jeito que eu sei. Nem dizer que te ama, nem te olhar nos olhos...
Ela fechou os olhos rapidamente, respirou como se fosse dizer algo, uma frase, um som, qualquer que fosse aquele resquício que, afinal, acabou no mesmo lugar que começou. Soltou o ar e desviou o olhar.
Ele aumentou o tom de voz.
- Tu não é nada além de covarde! Eu já sabia desde o começo, mas pensei que te esquivasses por medo... Hoje vejo que tens outros motivos. Motivos gananciosos, mesquinhos, nojentos!
- Cala a boca! - ela disse sem titubear - Não pedi a tua opinião. Não preciso dela para encher os meus ouvidos e muito menos para influenciar nas minhas decisões...
O homem rapidamente retrucou.
- Decisões que tu nunca irá tomar! Puta! - Ele engoliu a saliva - Tu prefere levar uma vida amarga, silenciosa, prefere assistir àquilo que tu chamas de marido do que largar o conforto para vir com quem tu ama...
Ela franziu a sobrancelha. Levantou-se e se posicionou na frente do homem já irado. Eles agora estavam frente a frente.
- Quem disse que eu te amo?
- Tu me diz! Me diz com a respiração todas as noites em que nos encontramos aqui, escondidos, quando ignoramos o que está do outro lado da janela...!
- Saiba então que eu não te amo porcaria nenhuma. Amar, onde já se viu... que palavra tola pra um sentimento idiota! Me admira que um homem como tu alimente essas fantasias...
- Um homem como eu? Me diga, então, como é um homem como eu?
Ela preferiu o silêncio.
- Diga! - Ele tinha a respiração veloz, o sangue começava a circular rápido pelos olhos que já estavam avermelhados - Um homem como eu, falido, sem berço, é isso que tu quer dizer? Não posso te dar o conforto que tu tem com esse sujeito miserável de alma, mas não consegue te segurar quando a saudade aperta no peito, o teu olhar não se deixa enganar...
- Para com essas bobagens! Da onde tu tirou isso... Minha respiração? Meu olhar? - Ela riu, maldosa - Se olhe no espelho... É tu quem diz essas verdades sobre ti, e quem sou eu para negá-las então!
- Puta! Mil vezes puta, mulher sem coração! Tu mataria por um luxo, por um mimo... Tu é cada dia mais desprezível ao meu olhar! Vai então, e termina tua vida com aquele grosso, continua escondendo as tuas feridas atrás de maquiagens e roupas...
Ela interrompeu-o, gritando.
- Miserável é tu! Cala a tua boca, eu já disse e repito, dispenso a tua opinião!
- ...E tudo isso pra quê? Tu desperdiça a fortuna do teu marido contigo, para encher os armários, pra encher o ego, e acaba esvaziando o teu coração... Tu mudou tanto nesses dez anos! - disse com desprezo.
Ela novamente encheu o peito para falar, mas acabou esvaziando-o sem palavras. Ela tinha raiva, mas lhe faltavam os argumentos certos; era sempre assim quando era posta em situações nervosas. Mas ainda pensava no que falar.
Ele foi mais rápido:
- Dez anos se passaram, e tu continua querendo os meus braços, os meus beijos, tu quer mais argumentos do que isso? Tu optou pela riqueza ao invés do amor, mas percebeu que não pode viver sem isso que tu diz ser idiota...
- Optei mesmo, homem. Optei! - ela esticou o braço para alcançar sua camisa que estava sob a cama, do avesso - Tu já devia ter entendido isso, faz anos... Prefiro pagar o preço de um marido talvez um pouco desnorteado do que viver uma vida escassa... Vá pro inferno!
Ela já estava com a camisa vestida, e agora enfiava a calça de cetim nas longas pernas.
Ele observou-a, buscando as palavras certas e acompanhando seus gestos. Falou alto, tentando desviar sua atenção para ele.
- Um pouco desnorteado? Além de nojenta tu é burra, anta! Esse homem nunca vai mudar as atitudes... Cinquenta anos teriam sido o bastante para lhe mudar as ideias se fosse possível!
Ele, agitado e indignado, observava-a colocar o casaco e apanhar a bolsa. Ela caminhou até a porta e virou-se, com o coração já disparado.
- Sou, sim, tudo isso que tu disse! E não vou mudar, a minha vida vai ser assim pra sempre. Tu estando nela ou não, pouco muda. Já estou farta dessa tua vontade de idealizar as coisas... Não é assim a vida! Parece criança! Me deixa em paz com a minha, que eu estou muito satisfeita com ela. Sim, estou!
Virou-se e deu o último passo dentro daquele quarto de motel carente de mobília, e bateu a porta o mais forte que pôde.
Dentro do quarto, o homem continuou estático. Quis sair, alcança-la, xinga-la mais, beijá-la, gritar o quanto ela era tola e burra até convencê-la, e depois dizer o quanto a amava. Mas apenas virou-se e sentou na poltrona, tentando se acalmar e visualizando mentalmente o que acabara de acontecer.
Do lado de fora, a mulher desceu as escadas rapidamente, e mesmo sem saber, quis desesperadamente que ele a seguisse e a puxasse pelo braço. Eles olhariam-se nos olhos, naqueles olhos já cansados e com rugas prematuras, e sentiriam amor e ódio ao mesmo tempo. Tanto faz se gritariam, ou se se beijariam; eles estariam juntos. Mas apenas entrou no carro ainda agitada e braba, ligou-o e só depois, finalmente, permitiu ao silêncio a companhia das suas grossas e tristes lágrimas.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Sob o Mesmo Sol

Ela ocupava parte dos dias se preocupando sem nenhuma razão aparente. Ela podia passar horas a fio mirabolando histórias e imaginando situações, ela quase podia sentir o vento quando o imaginava, ela colocava e tirava as mãos do bolso tentando achar algo que era seu, ela sabia - mas não conseguia encontrar.
Mas ela não desistia. Sentava todos os dias no mesmo lugar, sob o mesmo sol, tentando fazer com que a sua imaginação se tornasse realidade. Mas ela não tinha pressa. Ela saboreava os planos com cuidado, assim como mexia nos cabelos com uma sensualidade inocente. Até hoje, sua única maneira de se sentir completa era imaginando. A realidade sempre tinha um imprevisto, as frases pareciam feitas, os dentes se batiam nos beijos, as pessoas não eram reconhecidas. Talvez fosse por isso que ela adiasse a vida, ela não sabia mas queria viver de fantasia, queria poder criar seu próprio roteiro, voltar atrás, trocar as personagens e ser sua própria diretora.
Então era sentada que ela vivia sua vida, recolhida e imensa, tão imensa na sua dimensão particular.
O tempo nunca era agora; ela vivia com a cabeça no futuro e os pés no passado. Adiava as coisas. Não se achava merecedora de viver aquilo agora, "ainda não está no tempo certo", e sempre empurrava pra frente, pra frente, e nunca alcançava. Era de propósito, mesmo ela não sabendo. Quem poderia, de fato, viver na vida real tudo aquilo o que aquela menina vivia no seu mundo? A vida real é dura, é crua, é imprevisível e desagradável.
Então ela adiava.
O seu tempo de se aventurar ainda ia demorar. Ela precisava crescer, tomar coragem; dentro de si havia uma menina frágil e sonhadora, que se preparava ainda para mergulhar na realidade. Preparava, preparava...
Ela ia demorar muito ainda para se decepcionar de verdade pela primeira vez, e ia sofrer, ia sofrer muito. Mas depois ia descobrir que só os sonhos não são o bastante, e ia se arriscar de novo; e se decepcionar de novo, e não ia mais parar. Como todos nós. Ninguém diz gostar da decepção, mas sempre arriscamos de novo.
Arriscamos, afinal o que aconteceria conosco se nunca precisassemos tentar de novo? Seríamos todos meninas sob o mesmo sol, condenados ao sonho perfeito que não nos permitiria experimentar o mundo de verdade.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Sistema Único de Saúde?

O que está se comentando sobre o Lula e o SUS é, na verdade, sobre todos os políticos brasileiros. Ninguém quer que ele não se recupere, mas é impossível não levantar esse asunto. É claro que o Lula não vai se tratar pelo SUS por que o sistema é completamente precário. A questão é que ele, que se diz defensor dos pobres e oprimidos, vai se tratar em hospital particular porque até meu gato sabe que SUS não é eficiente. Só que o Lula tem essa opção, felizmente. Gostaríamos nós que todos tivessem. Mas a maioria da população brasileira não tem, e passa horas em filas, passa anos esperando uma cirurgia, pra quando chegar em casa ligar a TV e ver propagandas políticas milionárias sobre como o país está ótimo, como ele vai sediar a copa do mundo e como o Obama disse que o nosso presidente é o Cara. Quer dizer, tecnicamente pelo sistema de saúde em que o Brasil está inserido, qualquer cidadão teria direito à um tratamento de saúde eficiente. Mas não tem.

O câncer do Lula é mais importante por que ele foi presidente? Mas peraí, não é ele que faz questão de dizer que foi metalúrgico, que é do povo? E o trabalhador que trabalha de domingo a domingo pra sustentar a família, pra ele o câncer não é tão ruim? Pode esperar? É claro que seria quase impossível o Lula ‘arrumar’ a bagunça que é o setor público no país, isso é baderna de décadas, mas todo mundo promete, se elege, depois sai e tudo continua igual. No brasil se paga tudo duas vezes (quem felizmente pode, quem não pode se fode): educação, saúde, sem falar nos impostos ridículos que estrangeiros pensam ser piada.

Eu queria mesmo é que filho de político tivesse que estudar em escola pública e que família de político tivesse que se tratar pelo SUS. Se isso acontecesse, a frase anterior não soaria como um insulto. Porque talvez assim deixassem de roubar parte do nosso dinheiro e investissem naquilo que pagamos pra não ter. E tanto os filhos dos políticos como eu, você e a filha da faxineira teríamos finalmente a educação pela qual pagamos.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Mulheres e Autoajuda

É incrível como as mulheres precisam de textos de auto-ajuda. Elas (nós, porque também sou uma) se identificam com cada palavra, com cada sentimento em comum. A verdade é que as mulheres vivem num mundo ainda machista, onde a traição deve ser aceito como manifesto da natureza masculina, onde o homem que fica com várias é pegador (e a mulher é vagabunda) e onde é o homem que deve pedir em namoro e convidar para sair.

E então tentamos nos igualar, por vários motivos: porque cansamos de sofrer, porque não somos sexo frágil nem f****, porque milênios de repressão já foram o bastante. Só que não adianta... Toda mulher, mesmo que seja uma empresária de sucesso, mesmo que goste de si mesma e que seja independente, tem algo diferente: somos sensíveis. Não adianta negarmos, mulheres são seres amáveis. Cada uma da sua maneira, mas continuamos quebrando a cabeça para entender por que diabos os homens continuam querendo quantidade ao invés de qualidade.

Somos aconselhadas desde as revistas teen a não expor nossos sentimentos para um menino logo de cara; isso pode assusta-lo. Somos ensinadas, depois, a dizer não para o homem nos primeiros encontros (e ainda continuo buscando uma revista masculina que diga isso a eles), além de que a mulher ideal deve ser dama na sala e puta na cama. Era só o que me faltava!!!!! Parece máfia masculina editando revista feminina.

Por isso, fica a dica: não seja uma mulher ideal, seja uma mulher real. Digo, seja o que você é. Por que mulher real tem sentimentos, chora, se apaixona, mulher real quer um colo de vez em quando, gosta de receber um mimo às vezes e pode (deve) ter defeitos. Tem muito feminismo por aí que acaba se subjugando aos homens tentando igualá-los, porque NÃO somos como eles, e isso não é bom nem ruim. Apenas somos diferentes. Não adianta tentar igualar-se se para isso temos de mudar a nós mesmas. Fazendo isso só estamos confirmando a visão machista de que eles são melhores e superiores.

A conclusão disso tudo é que sim, as mulheres ainda vão sofrer muito com a insensibilidade masculina. Mas por favor, não vamos desistir de sermos quem somos, porque testosterona nenhuma tem o direito de nos tirar essa sensibilidade maravilhosa capaz de manter a beleza e o amor nesse mundo cada dia mais frenético.

domingo, 2 de outubro de 2011

"Porque, às vezes, dormir tem lá suas muitas desvantagens"

Hoje eu acordei mal.
Acordei chorando.
Sonhei com você, não que isso nunca tenha acontecido, mas dessa vez machucou mais.
Machucou mais porque eu sei que não há mais nenhuma esperança, tudo o que restou é um fiapo que se prende em mim, sempre em mim, que vai raspando aos poucos, de leve, que puxa cada vez que eu te vejo.
Eu não aguento mais essa brincadeira de gostar, que grande invenção humana de mau gosto, as coisas sempre dão errado, eu sempre me jogo de cabeça e não conto pra ninguém, pra depois ficar mal e não contar pra ninguém, e te ver em outra e mentir que tá tudo bem.
Deixar as coisas passarem. Eu faço exatamente o contrário do que eu penso, eu deixo tudo como está, me digo que vai passar e finjo que nada aconteceu.
E aí o tempo passa, às vezes leva junto o que restou, às vezes só faz piorar, mas eu continuo imóvel, impassível, finjo uma indiferença nojentamente falsa, sinto raiva de mim mesma por deixar as coisas escaparem. Muita raiva, mas meu medo é covarde, prefere se conformar do que lutar. A única coisa que eu faço é escrever em um blog medíocre, uma maneira de me justificar dizendo que eu falei, mas ninguém ouviu.
Alivia, e é por isso que eu escrevo essas palavras clichês e desordenadas. E depois a vida segue, linear e exigente, sem novidades, girando em círculos até ficarmos tontos.
Hoje eu acordei mal...

*Título retirado de trecho de autoria de Clarice Lispector.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O Outro Lado

Não precisa explicar, quem disse que eu quero entender? Não se esforce em descrever, eu prefiro imaginar! Se disserem que é um quadrado, alguém pode achar que é um círculo. E porque acredita, é. Se esperarem um sim, alguém pode dizer um não muito mais doce. Eu não me importo com tomar atitudes erradas, com parar no destino errado de propósito. Quero amar quantas pessoas eu não aguentar, e depois repetir, mesmo que digam que eu não devo. Tem alma que não nasceu pra viver a novela, que não quer acabar como a Cinderela, porque a felicidade do ‘para sempre’ não tem fim... Eu não quero ser igual até morrer! Só entende o doce quem prova o salgado. Cada um sabe como sente, e eu só sinto quando mudo o ponto de lugar, troco por vírgulas, adiciono reticências e exclamações e às vezes tiro um tempo pra escrever em cego. Eles dizem que sabem o que é bom pra mim... Guardem pra si, porque não quero descobrir tão cedo!

sábado, 30 de julho de 2011

Exercício

Escolha a primeira pessoa que passar na rua. Um estudante, uma senhora de idade, alguém procurando algo na bolsa. Agora pense no que mais te incomoda no momento. Pressa, calor, sapato apertado, arrependimento. E no que mais tem te incomodado durante o mês. Prazos, contas, organizar sua festa de formatura. E no ano? Amores impossíveis, amores possíveis que nós insistimos em tornar impossíveis, saudades de quem mora longe, a vontade de trocar de emprego.
O que é extremamente importante na sua vida, para aquela pessoa que acabou de passar na rua não faz a mínima diferença. Ela não faz ideia de que você existe. Provavelmente nem notou sua presença. Se notou, não vai durar mais que a velocidade de sair do seu campo de visão, e vocês nunca mais vão se ver na vida.
Uma dobra a esquina, outra continua até o fim da rua. Desencontro
eterno.
Você ganhou na loteria, casou com o amor da sua vida, foi promovido? A felicidade é tanta que não cabe no peito? Ela nunca vai saber. Ela se tornou órfã, ficou com o marido da amiga, esqueceu a bolsa com todos os documentos na loja? Foda-se. Não faz a menor diferença pra você. Nós vivemos toda a nossa vida ocupando a posição principal nela. Tudo gira em torno de nós. Os nossos sentimentos, os nossos amigos, a nossa casa, os nossos interesses. Cada pequena conquista é importante. Eu / meu / tenho / quero / gosto. Mas quer saber? 99,99% das pessoas do mundo não sabem e tão fudendo sobre o que você está sentindo, o que você se tornou na vida, quantas línguas sabe falar e quanto dinheiro você tem.
Aquela pessoa que você só viu uma vez na vida durante 5 segundos também tem a sua própria vida, em que ela é a personagem principal. Tudo gira em torno dela. Ela quer e sente as mesmas coisas que você em alguns momentos, que também parecem ser as coisas mais importantes do mundo. E ela nem sabe que você existe. Nem quer saber.
Isso é tão engraçado pra mim.
Mas se ela morrer, raramente mais de 10 pessoas ficarão tristes de verdade.
A mesma coisa comigo. E com você.
Então pare de se sentir o centro do mundo e comece a aceitar que as suas vontades não são mais importantes do que as dos outros, que o seu dia não é mais curto, que aquela pessoa que pegou o melhor lugar no estacionamento também acha aquele o melhor lugar no estacionamento, que quando você perde a competição mais importante da sua vida, outra pessoa ganha a competição mais importante da vida dela.
Se todo mundo soubesse o quanto a vida é insignificante, talvez faríamos dela algo muito mais grandioso.

sábado, 14 de maio de 2011

Eu corro, corro.

Eu corro, corro.

Às vezes nos achamos tão valentes para algumas coisas, e para outras nos sentimos como tartarugas se escondendo no casco.

Algumas oportunidades eu agarro com unhas e dentes; em outras, eu nem mesmo os tenho. Confortavelmente volto pro casulo e deixo somente uma frestinha aberta, suficiente para observar, apenas. De uma visão estratégica, consigo ver tudo o que eu quero. Mas ninguém consegue me ver.

Procuro sempre ter o controle; principalmente quando isso significa tornar-se impermeável. Não se envolver para ter controle é a maior prova de não dominar nada.

E aí eu corro, corro.

De tudo que não esteja no dicionário ou que não envolva um esforço racional. Sou medrosa. Não admito. Me acho muito mais forte do que sou. Fujo extremamente rápido para não dar tempo nem mesmo de pensar em fazer parte de algo que possa envolver riscos à minha sanidade, a qual eu considero tão valiosa, mesmo sendo tão egoísta. Não divide espaço com ninguém.

Quando um caminho já foi trilhado e não conseguimos chegar ao destino esperado, não iremos escolher o mesmo de novo. Eu não, pelo menos. Passo bem longe.
Longe para não correr o risco de me distrair e pegar o mesmo rumo que, só de lembrar, faz doer o peito e estremecer o coração.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Transbordando

Um minuto. Uma hora. 24 horas. Não é incompreensível isso? Alguns milésimos para piscar os olhos, cinco segundos para bocejar, 25 segundos para fazer xixi (sim eu contei!) e oito horas para dormir! Considero isso muito fora do meu alcance, essa coisa louca e incontrolável que é o tempo. Todo o fim de dia é a mesma coisa: "Caralho... mais um pôr do sol", e aí a pergunta anexa: "Eu fiz algo de útil hoje?".

Admiro quem viva com calma, leve a vida devagar, jogue tempo pela janela só para observar sua queda. Não que eu não faça isso; mas o faço com um C de culpa. Para eles, observar essa queda é prazeroso, para mim faz engordar a ansiedade. Maldito freneticismo contemporâneo!

Mas é assim que funciono, preciso ter produzido, aprendido, realizado para deitar tranquilamente minha cabeça sob o travesseiro à noite. Isso nem sempre é feito; o que eu gostaria de fazer nem sempre é o que eu faço. Alugo três livros ao mesmo tempo e não descanso após ter passado os olhos por todas as páginas. Pode levar tempo, por ter todas as coisas inúteis com que acabo ocupando parte dos meus dias, e que me fazem listar mais e mais tarefas. Às vezes me parece até autopunição. Deus me livre.

Mas a questão é que, independente disso, continuo percebendo o tempo como algo complexíssimo: já não é o mesmo de quando escrevi a palavra anterior, nem nunca será. Nunca mais vou acordar hoje, nem almoçar hoje, nem ir à aula hoje. Nunca mais terei o primeiro beijo, o primeiro namorado, aquele momento certo em que fiz a escolha errada. Nunca mais farei 15 anos ou me formarei na escola. Cada momento é novo, o que o torna excitante e aterrorizante. Cada passo é dado no desconhecido.

O tempo escorre entre os dedos como cachoeira, transborda pelo relógio como num buraco negro. Simples/Complexo assim.



quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Mais Concreto do que Parece

Se não se pode tocar com as mãos, tente sentir com os olhos e olhar com a ponta dos pés. Quem sabe mudando o ponto de vista nos convencemos, enfim, de que eles são a prova de que o sentimento não pode ser virado e revirado. Ele estará lá, não importa como escolhemos definí-lo.



domingo, 12 de dezembro de 2010

Sem Desculpas

Uma das melhores qualidades de uma pessoa é admitir os erros. Fazer é fácil, agir por impulso é excitante, tentador. Na hora de se render ao agradável qualquer um pode ser bacana ou moderno, mas na hora de "colocar a cara à tapa" é quando realmente mostramos quem somos.
Admitir um ato, por mais errado que ele pode ter sido, é se mostrar decidido; é entender que a verdade é melhor que um pedido de perdão, e que dúzias deles não vão reparar qualquer que seja o ocorrido.
Não existe coisa pior do que gente que se esconde atrás de pedidos de desculpas, que se enfeita com expressões arrependidas e que franze a testa com o olhar no chão. Prefiro alguém que me magoe por algo decidido, fugaz, que me traia por algo realmente grandioso e inadiável.
Desculpas pelo acaso, para mim, é o mesmo que nada. Se o acaso é mais importante, ok, que bata na próxima porta. Desculpas pelo irremediável, entretanto, é desmerecer a si mesmo; causar decepção para depois pedir desculpas é fraqueza e indecisão. Não só irá perder a minha confiança, como também a chance pelo que se arriscou e, depois, se arrependeu. Mas levantar a cabeça, olhar nos meus olhos e admitir, por mais terrível que seja: isso sim merece meu respeito. Desculpas ou perdão, jamais; Mas pelo menos não fui enganada pelo substituível. Só aconteceu porque as chances são únicas, passageiras e cruéis; elas podem não ter uma segunda via.
Então, para esses casos, eu digo: suma da minha vida, AGORA, mas com todo o meu respeito.

domingo, 21 de novembro de 2010

Opinião?

Bem mais do que as palavras que eu não consegui que saíssem como eu queria, deixei também de conseguir organizar o que eu pensava naqueles momentos. Por medo, sim, de realmente confirmar que o que me atemorizava era mesmo real. De que eu me convencesse do que eu não queria acreditar. Afinal, o ser humano é assim: opinião própria é contestável. Não é necessariamente o que acreditamos de fato, mas o que queremos acreditar; e muitas vezes acreditamos em ideias sem nem mesmo conhecê-las verdadeiramente. Mas por esse vício de ter uma posição marcada em relação a qualquer assunto que gere contradições, logo criamos um alinhamento automático, defendendo-o até o fim. Porque hoje em dia parece que estar certo vale mais do que qualquer coisa, mesmo que você não saiba ao certo pelo que está assinando embaixo.


sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Um/a

Cada rosto uma história, uma ilusão, uma loucura, um pensamento, um sonho, um objetivo, um caminho, um horário, uma lágrima, uma casa, uma família, uma preocupação, uma crença, uma verdade, uma mentira, uma ilusão, um desejo, uma fantasia, um texto, uma obrigação, uma fome, um estilo, um gosto, uma música, um jeito, um esporte, uma maneira, uma vocação, uma idade, uma percepção, uma decepção, uma mania, um erro, um manequim, um talento, uma vergonha, um orgulho, um defeito, um segredo, uma ideia, um emprego, uma explicação, uma visão, uma risada, um fôlego, uma cultura...



...Mas que sem amor não se sentem um/a.



segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Pernas pro Ar

Estamos no ápice de uma semana agitadíssima, cheia de compromissos, prazos, obrigações. De manhã, você tenta escancaradamente subornar as horas de sono que escanteou em meio à tentativa frustrada de alcançar o número mínimo de páginas exigido. Esquece a água do café no fogo, depois engole a jarra inteira, e não surpresa adquire uma queimadura na língua pela falta de cuidado com líquidos quentes.
Parece que sua mãe não conseguiu te transmitir ideias básicas de segurança!
A cabeça a mil, com aqueles montes de pesquisa, sua atenção pára em alguns desses assuntos: como você gostaria de saber mais sobre isso! E pensa: quando terminar esse trabalho/projeto/semana, vou procurar saber mais. Nos minutos em que consegue reservar para comer alguma coisa, que já aproveita para ver um pouco do jornal, assiste a um trailer com o qual você se entusiasma: quando terminar esse trabalho/projeto/semana, compro o ingresso e vou assistir. Andando na calçada, a caminho da gráfica onde vai imprimir aquele monte de ideias soltas que você se orgulha em assinar embaixo, mais uma: Loja de decoração. Preciso reorganizar minha estante! Invadem sua cabeça ideias como: pôr do sol, show do Paul, trocar aquela roupa que na loja ficou linda e em casa ficou horrível, fazer aquele curso pelo qual você se interessa. E que saudades do bolo da sua avó! Renasce também a vontade de fazer trabalho voluntáro, ler o livro que impulsionou o a geração beat nos EUA, se inscrever no ioga, descobrir a cura para a AIDS (!) e, pasmem: até começar a academia 3x por semana.
Keep calm, sweet lady: você terá tempo de sobra para tudo isso. Espere essa fase terminar e poderá transformar a sua vida em tese de doutorado. Faz planos de como dominar o mundo!!!
Você revisa os últimos acentos de acordo com a nova ortografia e: pronto! Falta só entregar, cruzar os dedos e ficar com insônia até o resultado.
Chegando em casa, abre a porta e sente tudo diferente: A luz entrando da janela, o cheiro de casa limpa, suas pantufas colocados lado a lado e... o sofá. Ele, o sublime, o genial! Observa-o por alguns instantes e constata que ele magicamente se apresenta maior e mais convidativo do que jamais foi um dia. Lembra-se, porém, dos diversos itens que listou na sua cabeça, calorosamente esperando cumprir um por um.
Mas o sofá...
"Mereço um descanço", conclui. Espreguiça-se sob a melhor invenção humana com almofadas e, inevitavelmente, passa o resto do tempo livre da semana de pernas pro ar, encarando qualquer coisa que se mexa na televisão.

sábado, 23 de outubro de 2010

Da Minha Janela



Por que temos o pré-conceito de que para os dias serem bonitos, eles precisam da presença do sol?
Considero a visão da minha janela uma poesia por si só.
Hoje, ela me parece mais pensativa.
Com sol, ela me parece mais otimista.
À noite, tem um toque de sombria.
E quando, de bandeja, consigo perder a atenção com os passarinhos de barriga colorida que moram por aqui, torna-se uma verdadeira obra de arte!

A pluralidade é a mais completa forma de inspiração...

domingo, 17 de outubro de 2010

Os Bons Modos

Os olhos que querem ficar cegos são os mesmos que selecionam o que querem enxegar; O desejo de mudança nos torna rei do mundo por alguns instantes e depois nos rebaixa à nossa posição cômoda. É diária a convivência com pessoas que têm os olhos virados para o interior. Mas a convicção da nossa insignificância reduz alguns à essa situação, afinal não estamos aptos a mudar o mundo.
Não acredito na paz mundial. Mas acredito na mobilização para isso; e mais: acredito em revolução de pensamentos. Se todos soubessem que somos todos iguais. Se todos parassem de querer incansavelmente sentir-se superior àqueles que sentem as mesmas coisas, se o jeito de se vestir não influenciasse nas relações, se o respeito fosse parte do dia-a-dia. Concordo com Adriana Calcanhotto: "Eu gosto dos que têm fome / Dos que morrem de vontade / Dos que secam de desejo / Dos que ardem". São esses que lutam pela vida com todas as garras. Me irrita até onde vão os bons-modos. Não me refiro ao respeito ou à educação. Me refiro aos costumes mesquinhos, às tradições sangrentas, aos bons modos fúteis e fantasiados que escondem a face negra do ser humano. Igualo tais futilidades à violência física. Se a última machuca, a primeira também. Fere a possibilidade de nos darmos conta que nesse mundo todos somos seres humanos, cada um com seus credos, ideologias, desejos e sentimentos. O modo de segurar o garfo ou a faca não eleva ninguém, tampouco as joias que são exibidas nos dedos.
Quem dera um dia a coisa mais preciosa não fosse o ouro, e sim o amor. Acredito que Deus nos deu a "família de sangue" como um pequeno exemplo do que é esse sentimento. Posso parecer clichê ou querendo salvar o mundo, mas o dia em que eu conseguir amar a todos, e me refiro à respeitar e principalmente desejar o mais profundo bem, serei completamente realizada. Minhas esperanças de atingir isso são quase inócuas; mas só de ter tido a oportunidade de perceber a tempo e de poder lutar por isso, me torna de certo modo feliz.
É um caminho longo, cheio de armadilhas, pretensioso. Não passo de uma amadora totalmente iniciante. Mas sei que nesse caminho qualquer progresso é válido. E mais: sei que não sou a única.

domingo, 26 de setembro de 2010

Queijo

Esqueci de te dizer que sempre que eu como algo com quantidades exageradas de queijo eu me lembro de você, por que eu tenho alguma vaga lembrança de que essa é a sua comida preferida.
Deixei passar também o fato de te agradecer por me fazer ficar uma hora e meia a mais fora de casa na madrugada de sábado, falando sobre coisas que surgiam, sumiam e ressurgiam como qualquer pensamento que adota uma linha torta. Os segundos formaram uma humilde escola de opinião, e nos deixoaram à vontade com toda e qualquer filosofia de coisas minuciosas que a gente guarda para nenhuma ocasião. Me deparei ouvindo músicas diferentes e legais e eis que, agora, escrevo aqui quaisquer que sejam as minhas ideias, que no geral eu ainda nem conheço direito. Mesmo depois de algum tempo, eu redesobri o gosto pelos minutos somente por eles estarem ali, por poder pensar em coisas fora do meu alcance por mero capricho, só por que posso, e por isso vou fazer até estourar. Não ligo se eles forem inúteis e se desmancharem na maré das semanas.
Eu também tinha uma vaga visão de algo mais ou menos assim escrito em você: "pode me contar as suas fraquezas", e elas começaram a sair, feito confete de carnaval. Percebi que sou muito mais fraca do que muitas vezes acho. E muito mais forte do que muitas vezes percebo. Quis ficar naquela falta de sol para desengasgar algumas coisas que prendi aqui durante momentos inócuos, mas igualmente importantes para tentar entender qualquer coisa que se passa aqui dentro.
Talvez o mais importante não tenha sequer sido as verdades ditas, ou as frases feitas. Mas sim parar e ficar algum tempo envolvida com assuntos diferentes, que relembram o passageiro da vida, o incerto, o desigual. Assuntos, aliás, que ninguém mais do mundo iria gostar de conversar.
E é por isso que escrevo às cinco horas da manhã, mesmo morrendo de sono, por que cheguei em casa pensativa e... fui comer queijo.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Mas não faça o que eu faço

Todos já ouvimos a frase "faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço".
Engraçada... sucinta, vai direto ao assunto. Soa como um verdadeiro conselho de alguém experiente: Eu sei o que é realmente certo, confie em mim, apesar de eu mesmo não fazê-lo.
Ok, estamos prestes a aceitar a verdade de alguém que não é realizada nem por aquele que a defende. Então será que todo o altruísmo por trás de um conselho não passa de uma mentira?!
No fundo, todos nós sabemos o que devemos fazer. Temos de seguir as convenções, respeitar os limites, ir sempre de acordo com as boas maneiras. Mas no xeque-mate, não é assim que os jogadores se comportam. E não é que eles saiam do nosso controle: nós os autorizamos a seguir em frente. Os atiçamos, secretamente, a ir ao encontro daquilo que não podemos definir; mas que podemos sentir. Tudo que não conseguimos adivinhar o final, mas que decretamos livre acesso, mesmo estando convictos da grande chance de se tornar efêmero. E mesmo assim, por que continuamos a fazê-las, mesmo tendo consciência de que esse não é o lado que vai nos levar aos nossos maiores objetivos?
Ora, por que o "certo" nem sempre é o melhor na dinamicidade dos segundos. Se assim o fosse, não continuaríamos a arriscar tudo por boas risadas, por bons beijos, por boas insanidades. Agir por impulso pode até se tornar um vício.
Se queres atingir seus objetivos, siga o certo. Se queres mergulhar em segundos que se eternizam, mas que não te fazem sair do lugar, faça sem pensar aquilo que depois vai te roubar horas... de memórias, de sensações, talvez até de arrependimentos. E esteja apto para lidar com as consequencias.
Façam suas escolhas. Eu fico com a segunda opção.

sábado, 11 de setembro de 2010

Mudança Linear

Estranho mesmo é com o passar do tempo perceber que você mudou; que seus interesses já não são mais os mesmos, as coisas mais legais do mundo já não são tão legais assim. Talvez em teoria você até prefira seu jeito antigo, por simples apego ao conhecido. Mas a prática não é algo que possamos preencher como um caderno em branco. Coisas que antes pareciam cruciais agora parecem ser tão substituíveis, e você se depara então com um conflito externo e interno: os outros, por julgarem você não ser mais o mesmo; e você, por tentar reavivar o que já se apagou. Uma tentativa inútil, por que tudo que um dia já foi, nunca mais voltará na mesma frequencia.
Mas a verdade é que as mudanças devem ser aceitas como consequencia da soma das nossas vivências e das nossas percepções sobre elas. Sejam quais forem as minhas vontades, os meus objetivos e até os meus caprichos, eles tiveram um fundamento; e devo respeita-los como devo respeitar tudo que esteja em fase de formação. Para acertarmos o caminho, antes iremos arriscar vários outros, até que nossos eus cheguem a um consenso. E cada uma dessas tentativas, mesmo as "erradas", ajudam a esculpir nosso molde para chegarmos cada vez mais perto de nossa essência.
Ideais às vezes passam, assim como vontades e prioridades. O que fica é o que se aprendeu com cada fase, e sobretudo a maneira com que você se aceitou e se respeitou nelas. Acredite, se pegarmos o mais sincero de cada uma dessas etapas, talvez cheguemos a um dia chutar com grande risco de acertar quem é essa pessoa que se esconde sob nossas ações.
Não quero me mudar à pinceladas; quero continuar mudando de acordo com meu ritmo. Sem pressa.